quinta-feira, 24 de agosto de 2023






Aos 9 anos, gostava de quando deitava no banco detrás do carro dos meus pais durante um fim de tarde chuvoso...
Sentia que havia um mundo somente meu. Meu esconderijo, uma proteção na qual eu não pedi. 
"Como será a sensação?"
Não importava, pois eu me permanecia aquecida. Protegida.
O que mais eu iria querer? 

Aos 14, tive meu primeiro coração partido em um outro dia chuvoso. Senti a chuva em contato direto com a minha pele. Não sei se foi culpa da água, mas sentir aquela mesma chuva sem a minha proteção foi dolorosa.

Aos 18 estava me divertindo com alguns amigos e saímos na chuva á procura d


e um mercado mais próximo. A água dessa vez me alcançava de uma forma diferente. 
"É divertido"


Aos 22 estava me perguntando o que estava fazendo com a minha vida. Novamente essa mesma água estava a percorrer meu corpo em uma avenida aleatória de uma outra cidade na qual eu não estava acostumada e não me sentia pertencer. Lembro-me de fechar os olhos e erguer minha cabeça. 
"Isso dói, mas é necessário"


Aos 26 nesse momento, observo a tempestade por um ponto estratégico. Olho para a chuva e começo a lembrar de todas as vezes em que ela representou um leque de personalidades, mesmo que com uma aparência praticamente imutável.
Respiro fundo:
"Isso dói, e é bom, mas eu não quero ... estou cansada de sentir dor."


"Estou cansada de sentir."