Sentia que havia um mundo somente meu. Meu esconderijo, uma proteção na qual eu não pedi.
"Como será a sensação?"
Não importava, pois eu me permanecia aquecida. Protegida.
O que mais eu iria querer?
Aos 14, tive meu primeiro coração partido em um outro dia chuvoso. Senti a chuva em contato direto com a minha pele. Não sei se foi culpa da água, mas sentir aquela mesma chuva sem a minha proteção foi dolorosa.
Aos 18 estava me divertindo com alguns amigos e saímos na chuva á procura d
e um mercado mais próximo. A água dessa vez me alcançava de uma forma diferente.
e um mercado mais próximo. A água dessa vez me alcançava de uma forma diferente.
"É divertido"
Aos 22 estava me perguntando o que estava fazendo com a minha vida. Novamente essa mesma água estava a percorrer meu corpo em uma avenida aleatória de uma outra cidade na qual eu não estava acostumada e não me sentia pertencer. Lembro-me de fechar os olhos e erguer minha cabeça.
"Isso dói, mas é necessário"
"Isso dói, mas é necessário"
Aos 26 nesse momento, observo a tempestade por um ponto estratégico. Olho para a chuva e começo a lembrar de todas as vezes em que ela representou um leque de personalidades, mesmo que com uma aparência praticamente imutável.
Respiro fundo:
"Isso dói, e é bom, mas eu não quero ... estou cansada de sentir dor."
"Estou cansada de sentir."

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